A infância
Douglas Braga
Uma prática pouco usual, é tratar a infância com EFT. O resultado fácil e rápido, quando direcionado para um problema específico, inibe a busca mais apurada da sua fonte. Mas como minha intenção é a de eliminar a origem do problema, este fato sempre me obriga a visualizar a infância, não por superstição ou teoria psicanalista, mas entendo que a infância é o berço do aprendizado para o individuo, e como sabemos, os bebes não vêem com manual de instruções.
Na infância são formados os conceitos e metodologia que a mente irá utilizar durante a sua existência. Nesta fase percebe-se que o individuo cria todos os conceitos e reações automáticas, sua afetividade, agressividade, auto-estima, angustia e mágoas entre tantos outros.
Com a estrutura emocional formada, tende a repetir os padrões de comportamento na vida adulta. Referencia não apenas de pai e mãe, mas com irmãos, parentes, amigos e qualquer pessoa que se relacione e produza algum significado, serão reproduzidas e confirmadas durante a vida.
Em certas situações pode haver uma modificação nesta estrutura total ou parcial, diante de fatos ou sensações ocorridas que detenham um significado para o individuo.
Essas modificações são percebidas com experiências boas ou más, isso pouco importa, o importante é como a pessoa capta e digere o fato.
Essas experiências pós-infância são tratadas observando apenas a origem do processo, que normalmente é um trauma ou evento específico.
O que dificulta o tratamento de certos episódios é a sua origem oculta, velada, mascarada. Este fato se deve por motivo claro, que é a sobrevivência psíquica do ser.
Como reagir a uma mãe dominadora, um pai agressivo, concorrência entre irmãos, exigências sociais, abandono emocional, rejeição, quando se tem uma tenra idade e não possui a menor condição de modificar sua vida?
Raiva, medo, angustia, rejeição, abandono, baixa estima, insegurança, indecisão, falta de foco, dependência emocional, tristeza, auto-sabotagem, competição excessiva, procrastinação são sentimentos e reações comuns que em boa parte da população, encontra sua origem nos relacionamentos e vivencia infantil, em maior ou menor grau de incômodo.
Como melhoria emocional dos incômodos oriundos da infância, sugiro um trabalho direcionado para esta fase da vida.
Mas qual a relação entre as emoções vivenciadas na vida adulta e a infância?
Essa pergunta precisa de uma breve explicação sobre núcleos emocionais, raiz do problema e o efeito casca de cebola.
Núcleos emocionais:
| Medo
Raiva
Angústia
Mágoa
Defesa
Poder
Vingança Ressentimentos |
- Ansiedade
- Rejeição
- Abandono
- Trauma
- Ódio
- Rigidez
- Crenças
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Essas emoções aparecem na formação e influencia o emocional por toda a vida.
As emoções listadas não são necessariamente ruins, quando bem utilizadas, motiva, protege, defende e produz uma estrutura mais equilibrada e segura.
O problema existente é quando a emoção que era o sal que tempera, vira a salina, ou seja, o que deveria constituir uma reação benéfica e fecunda para a formação sadia do caráter, transforma-se em deserto e sofrimento. A partir deste momento a possibilidade de comprometer o desenvolvimento emocional, psíquico e físico (doenças psicossomática) do individuo é muito alta.
Com os núcleos emocionais em desequilíbrio, encontram-se dois processos muito comuns, que chamo de raiz do problema e o efeito casca de cebola.
Raiz do problema:
Esse processo começa no plantio de uma emoção negativa, essa semente vai crescendo e cria raízes, e com o desenvolvimento se transforma numa arvore frondosa que se destaca na paisagem emocional da pessoa. Essa arvore para ser retirada, tem que começar a poda e a seguir, se direcionar a raiz do problema e eliminar; não basta obter o alivio, tem que eliminar a emoção causadora do problema; deste modo o fato gerador do problema é eliminado, evitando o retorno de qualquer sintoma.
Efeito casca de cebola:
A cebola é um vegetal interessante, pois ele não tem nada alem de casca. Se retirar todas as cascas da cebola, não se encontra nada, apenas um núcleo frágil e desprotegido. Essa analogia pode ser usada para os processos emocionais, diferente do anterior que a semente é lançada e enraíza.
Já no efeito casca de cebola o núcleo é frágil e para se proteger desenvolve uma casca, que cria novos conflitos, e novamente gera uma casca e assim sucessivamente até virar uma grande cebola, onde não se encontra a raiz, pois o que existe é um núcleo a ser encontrado e solucionado. A característica desse tratamento, é a impressão que cada vez que se trabalha um problema, aparece outro, mas que na verdade é apenas mais uma casca que ira continuar até o núcleo.
O núcleo emocional tem como principal aspecto a observação das características humanas, essas emoções são defesas para a manutenção da vida.
Elas só começam a causar problemas quando exacerbadas ou em desequilíbrio.
Existem varias formas de manifestação dos núcleos, aqui serão apresentadas apenas as duas acima descritas.
Exemplo prático:
Uma mãe dominadora que sufoca e limita ao maximo o filho.
Raiz do problema:
Essa criança produz raiva, medo e revolta. Se ela criar uma raiz, a sua vida será marcada por esses sentimentos que irá se refletir na vida adulta na forma de lidar com situações similares vividas com a mãe.
Pessoas dominadoras despertam sentimentos infantis que causam infelicidade e perturbações desnecessárias, fazendo reviver todo o processo infantil, confirmando as crenças adquiridas com a mãe.
A saída para tratamento dessa raiz, é:
-Eliminar a raiva, o medo e a revolta.
Esse é o corte dos galhos (a poda).
Tratar os sentimentos oriundos que na época não permitiram a reação e solução do problema, como culpa, incapacidade, impotência, humilhação, subjugação entre outros que apareçam, essa é a raiz.
Isso feito, o alivio dos processos internos provocará uma mudança estrutural do individuo, pois o pilar das crenças limitantes terá sido quebrado, produzindo habilidade para lidar com situações semelhantes.
Efeito casca de cebola:
Quando a criança desenvolve essa característica, o emocional cria uma casca para se defender, que apresenta novos problemas.
A mãe dominadora cria revolta, a criança se submete diante da mãe e quando ela vira as costas, se transforma.
Essa atitude desperta novos comportamentos nos envolvidos.
A reação em relação a esta casca, força a alteração do comportamento (nova casca), que produz outros conflitos, e assim sucessivamente.
Nesses casos não existe uma raiz, que quando eliminada resolve a estrutura como um todo.
Cada problema resolvido surge um novo, que quando tratado, aparece outro e ai vai até chegar ao núcleo resolvendo o processo, diferente da raiz do problema que basta chegar a raiz, mesmo sem ter feito a poda, que a cura acontece.
No efeito casca de cebola, é necessário descascar até chegar ao núcleo, se atacar o núcleo sem retirar as cascas, de nada adianta.
Enfim, as situações similares ocorridas na vida adulta, têm reações da infância quando não resolvida.
Se analisar a vida pessoal, encontrará situações que trazem lembranças com fatos ou pessoas da infância; o chefe dominador que parece com o pai ou a mãe, a relação afetiva com pessoas que tem características iguais ou que lembrem os pais. Certamente encontra-se exceções na população.
Nos mais sinceros votos de luz, vida e amor.
Douglas Braga possui experiência de 20 anos em terapias alternativas, ministrando cursos de Shiatsu, quiroprática, técnica anti-estress e EFT. Administrador de empresas.
Comunidade no Orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=38653328
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