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Vítima
Douglas Braga
Existem várias teorias sobre a vítima, a mais difundida é que a vítima é sinônimo de coitadinho, digno de pena, de ser incapaz, inferior, mas na realidade a vítima é muito mais que isso.
No Aurélio, vítima tem várias versões.
- Homem ou animal imolado em holocausto aos deuses.
- Pessoas arbitrariamente condenadas à morte ou torturadas, violentadas.
- Pessoa sacrificada aos interesses ou paixões alheias.
- Pessoa ferida ou assassinada.
- Pessoa que sofre algum infortúnio, ou que sucumbe a desgraça, ou morre em um acidente, epidemia, catástrofe, guerra, revolta, etc.
- Tudo quando sofre qualquer dano.
- Sujeito passivo do ilícito penal.
- Pessoa contra alguém que comete algum crime ou contravenção.
Ou ainda vitimar.
- Tornar-se vítima, sacrificar.
- Causar a morte de;
- Abater, prostrar.
- Prejudicar, danificar
Em uma forma simples podemos dizer que existem três tipos básicos de vítima: a passiva, a ativa e a bloqueada.
A vítima passiva tem características marcantes aos olhos em geral, pois é a mais discriminada por sua fragilidade; é abusada emocionalmente e socialmente, aconselhada sem o menor critério ou cerimônia.
A passiva tem característica de acreditar que os outros não a entendem, não ajudam, é agredida, simplesmente é um subproduto, um resíduo de pessoa.
Leva a autoridade alheia como força suprema e senhor da razão, incapaz de lutar pelos seus desejos, objetivos e lugar no mundo.
Acredita na sua total incapacidade de ser feliz, sua vida está vinculada aos outros, se sente amarada, desvalorizada, submissa, sem poder, sem razão, sem fé.
Engana-se na visão que tem de si e das pessoas, por esse erro de visão, provoca a dependência e deposita no outro a responsabilidade da sua vida.
A palavra alheia é quase uma ordem, a submissão, e a auto-desvalorização são instrumentos de manipulação, e com isso, acredita que, assim, tem o controle da situação e das pessoas.
É comum à vítima achar que é capaz de dominar pelo seu sofrimento, por isso se torna uma pessoa sem expressão, sem direcionamento e foco no seu bem estar.
Todos querem aconselhar e dizer o que fazer, é fácil falar que precisa enfrentar o medo, a vida, a realidade, mas nem sempre isso é possível para a vítima, enquanto vivenciar este arquétipo.
A vítima ativa tem características elogiadas pela sociedade. Está sempre em alerta, não se deixa abater, é forte, decidida, mas o mundo não está a favor, quando não tem mais desculpas, joga a responsabilidade para a falta de sorte, em Deus e qualquer um que passar no seu caminho.
A vítima ativa tem energia de sobra, está sempre fazendo alguma coisa, o que dizem para ser feito, ela faz. Tem inúmeras tarefas, bom curriculum, dinâmica, porem não realiza, e quando questionada o porquê, a resposta é:
- Deus não me ajuda,
- As pessoas não acreditam em mim,
- Falta de sorte,
- Para fazer isso ou aquilo tem que ser apadrinhado,
- Só consigo com a ajuda dos outros e etc.
Não realiza, mas é sempre ativa, justificando o rótulo de guerreira.
A vítima bloqueada tem dinamismo, acredita na sua capacidade, não se deixa dominar, é capaz, realizadora, sabe o que fazer.
Se torna incapaz de fazer, por acreditar que está bloqueada pelas emoções de compaixão e sentimentalismo desnecessários.
A bloqueada é sempre reconhecida pela sua capacidade, mas incapaz de usá-la a seu favor, por problemas que acredita serem éticos ou por não querer “manipular” as pessoas ou situações.
Com essa atitude desenvolve a introspecção e introversão negativa, bloqueando a sua expansão em várias partes da vida, prejudicando o crescimento pessoal.
A pergunta que veio a minha mente enquanto estava escrevendo, é: Qual vítima é melhor ser?
Na minha opinião, nenhuma.
Ser vítima nunca é positivo na vida, seja ela ativa, passiva ou bloqueada.
Quando não se é consciente do seu papel de autor da existência, pouco importa qual vítima se é. O que realmente importa é ter a responsabilidade sobre seus atos e a capacidade de mudar, quando depara com uma situação que necessita ajustes na sua filosofia e comportamento diante da vida.
Conheci uma pessoa que assumiu o papel de vítima, quando sofreu um acidente e foi rotulado como paraplégico (erro de diagnóstico).
Esta pessoa passou pelas fases de vítima durante 3 anos acreditando que era paraplégico e incurável.
No primeiro momento quando descobriu que existiam poucas possibilidades de andar novamente, assumiu a vítima ativa e foi procurar ajuda. Passou por vários hospitais e especialistas, e a resposta sempre era a mesma, sem chances de melhora.
No momento seguinte, voltou para a casa da atual ex-mulher, que o auxiliava no dia-a-dia, pois precisava dele para suprir algumas necessidades como marido, por ter apenas trinta e poucos anos. Sentindo-se desafortunado e abandonado por ela, entrou em depressão com pensamentos obsessivos relacionado à sua condição de homem, impotente diante do próprio sofrimento.
Na terceira fase instalou-se a revolta com Deus e o mundo.
Começou um tratamento e foi feita uma reflexão sobre o que aconteceu depois do acidente:
- “Pouco importa o que aconteceu ou o que sofreu, mas o que você faz com isso”.
Em seguida foi realizado um diálogo motivacional direcionado a necessidade de ter vontade de se curar.
O terceiro passo, foi apresentado a EFT, e a orientação de realizar as rodadas diariamente com tudo que incomodava emocionalmente sem exceção.
Após a introdução da EFT ocorreu a melhora no humor, na depressão e aumento da atividade nos exercícios necessários para a recuperação da musculatura.
Esse exemplo mostra a necessidade de sair do papel de vítima de Deus, do destino, da dependência, da depressão, das circunstâncias, da desgraça, do azar ou de qualquer outra forma de vitimização.
Apesar de a EFT ter cooperado substancialmente com a melhora do paciente, a chave para a melhora, está na reflexão e saída da vivência de vítima.
Raramente se encontra uma vitima tão completa como no caso citado, mas é comum encontrar pessoas em algumas dessas fases, seja passiva, ativa ou bloqueada.
No caso da vítima, a EFT é apenas uma das ferramentas necessárias para a resolução da vitimização.
Finalmente pode-se dizer que vítima, é toda ou qualquer pessoa que tem a crença onde os acontecimentos e emoções são causados por algo externo ou interno de difícil e até mesmo impossível solução.
Que o Pai de amor esteja sempre conosco.
Nos mais sinceros votos de luz, vida e amor.
Douglas Braga possui experiência de 20 anos em terapias alternativas, ministrando cursos de Shiatsu, quiroprática, técnica anti-estress e EFT. Administrador de empresas.
Comunidade no Orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=38653328
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