Notícias

Vítima
Douglas Braga

Existem várias teorias sobre a vítima, a mais difundida é que a vítima é sinônimo de coitadinho, digno de pena, de ser incapaz, inferior, mas na realidade a vítima é muito mais que isso.

No Aurélio, vítima tem várias versões.

  1. Homem ou animal imolado em holocausto aos deuses.
  2. Pessoas arbitrariamente condenadas à morte ou torturadas, violentadas.
  3. Pessoa sacrificada aos interesses ou paixões alheias.
  4. Pessoa ferida ou assassinada.
  5. Pessoa que sofre algum infortúnio, ou que sucumbe a desgraça, ou morre em um acidente, epidemia, catástrofe, guerra, revolta, etc.
  6. Tudo quando sofre qualquer dano.
  7. Sujeito passivo do ilícito penal.
  8. Pessoa contra alguém que comete algum crime ou contravenção.

Ou ainda vitimar.

  1. Tornar-se vítima, sacrificar.
  2. Causar a morte de;
  3. Abater, prostrar.
  4. Prejudicar, danificar

Em uma forma simples podemos dizer que existem três tipos básicos de vítima: a passiva, a ativa e a bloqueada.

A vítima passiva tem características marcantes aos olhos em geral, pois é a mais discriminada por sua fragilidade; é abusada emocionalmente e socialmente, aconselhada sem o menor critério ou cerimônia.

A passiva tem característica de acreditar que os outros não a entendem, não ajudam, é agredida, simplesmente é um subproduto, um resíduo de pessoa.

Leva a autoridade alheia como força suprema e senhor da razão, incapaz de lutar pelos seus desejos, objetivos e lugar no mundo.

Acredita na sua total incapacidade de ser feliz, sua vida está vinculada aos outros, se sente amarada, desvalorizada, submissa, sem poder, sem razão, sem fé.
                                             
Engana-se na visão que tem de si e das pessoas, por esse erro de visão, provoca a dependência e deposita no outro a responsabilidade da sua vida.

A palavra alheia é quase uma ordem, a submissão, e a auto-desvalorização são instrumentos de manipulação, e com isso, acredita que, assim, tem o controle da situação e das pessoas.
                                                        
É comum à vítima achar que é capaz de dominar pelo seu sofrimento, por isso se torna uma pessoa sem expressão, sem direcionamento e foco no seu bem estar.

Todos querem aconselhar e dizer o que fazer, é fácil falar que precisa enfrentar o medo, a vida, a realidade, mas nem sempre isso é possível para a vítima, enquanto vivenciar este arquétipo.

 

A vítima ativa tem características elogiadas pela sociedade. Está sempre em alerta, não se deixa abater, é forte, decidida, mas o mundo não está a favor, quando não tem mais desculpas, joga a responsabilidade para a falta de sorte, em Deus e qualquer um que passar no seu caminho.

A vítima ativa tem energia de sobra, está sempre fazendo alguma coisa, o que dizem para ser feito, ela faz. Tem inúmeras tarefas, bom curriculum, dinâmica, porem não realiza, e quando questionada o porquê, a resposta é:

- Deus não me ajuda,
- As pessoas não acreditam em mim,
- Falta de sorte,
- Para fazer isso ou aquilo tem que ser apadrinhado,
- Só consigo com a ajuda dos outros e etc.

Não realiza, mas é sempre ativa, justificando o rótulo de guerreira.

 

A vítima bloqueada tem dinamismo, acredita na sua capacidade, não se deixa dominar, é capaz, realizadora, sabe o que fazer.
                        
Se torna incapaz de fazer, por acreditar que está bloqueada pelas emoções de compaixão e sentimentalismo desnecessários.

A bloqueada é sempre reconhecida pela sua capacidade, mas incapaz de usá-la a seu favor, por problemas que acredita serem éticos ou por não querer “manipular” as pessoas ou situações.

Com essa atitude desenvolve a introspecção e introversão negativa, bloqueando a sua expansão em várias partes da vida, prejudicando o crescimento pessoal.

 

A pergunta que veio a minha mente enquanto estava escrevendo, é: Qual vítima é melhor ser?

Na minha opinião, nenhuma.

Ser vítima nunca é positivo na vida, seja ela ativa, passiva ou bloqueada.

Quando não se é consciente do seu papel de autor da existência, pouco importa qual vítima se é. O que realmente importa é ter a responsabilidade sobre seus atos e a capacidade de mudar, quando depara com uma situação que necessita ajustes na sua filosofia e comportamento diante da vida.

Conheci uma pessoa que assumiu o papel de vítima, quando sofreu um acidente e foi rotulado como paraplégico (erro de diagnóstico).

Esta pessoa passou pelas fases de vítima durante 3 anos acreditando que era paraplégico e incurável.

No primeiro momento quando descobriu que existiam poucas possibilidades de andar novamente, assumiu a vítima ativa e foi procurar ajuda. Passou por vários hospitais e especialistas, e a resposta sempre era a mesma, sem chances de melhora.

No momento seguinte, voltou para a casa da atual ex-mulher, que o auxiliava no dia-a-dia, pois precisava dele para suprir algumas necessidades como marido, por ter apenas trinta e poucos anos. Sentindo-se desafortunado e abandonado por ela, entrou em depressão com pensamentos obsessivos relacionado à sua condição de homem, impotente diante do próprio sofrimento.

Na terceira fase instalou-se a revolta com Deus e o mundo.

Começou um tratamento e foi feita uma reflexão sobre o que aconteceu depois do acidente:

- “Pouco importa o que aconteceu ou o que sofreu, mas o que você faz com isso”.

Em seguida foi realizado um diálogo motivacional direcionado a necessidade de ter vontade de se curar.

O terceiro passo, foi apresentado a EFT, e a orientação de realizar as rodadas diariamente com tudo que incomodava emocionalmente sem exceção.

Após a introdução da EFT ocorreu a melhora no humor, na depressão e aumento da atividade nos exercícios necessários para a recuperação da musculatura.

Esse exemplo mostra a necessidade de sair do papel de vítima de Deus, do destino, da dependência, da depressão, das circunstâncias, da desgraça, do azar ou de qualquer outra forma de vitimização.

Apesar de a EFT ter cooperado substancialmente com a melhora do paciente, a chave para a melhora, está na reflexão e saída da vivência de vítima.

Raramente se encontra uma vitima tão completa como no caso citado, mas é comum encontrar pessoas em algumas dessas fases, seja passiva, ativa ou bloqueada.

No caso da vítima, a EFT é apenas uma das ferramentas necessárias para a resolução da vitimização.

Finalmente pode-se dizer que vítima, é toda ou qualquer pessoa que tem a crença onde os acontecimentos e emoções são causados por algo externo ou interno de difícil e até mesmo impossível solução.

Que o Pai de amor esteja sempre conosco.

Nos mais sinceros votos de luz, vida e amor.

 

Douglas Braga possui experiência de 20 anos em terapias alternativas, ministrando cursos de Shiatsu, quiroprática, técnica anti-estress e EFT. Administrador de empresas.
Comunidade no Orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=38653328

falecom@netsalas.com.br | Tel.: (11) 4153.7232 | Mapa do Site