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Vítima ativa
Douglas Braga

Embora a vítima ativa tenha atividades ligadas ao seu desenvolvimento, nunca acerta o caminho.
                   
Vejo isso acontecer com inúmeras pessoas, apesar de parecerem ativas e engajadas, na verdade apenas trabalham para um ego inflado e doentio, dificultando o fluxo da vida no propósito de serem felizes, mas dificilmente encontram a felicidade, harmonia e bem estar.

Esquecem que o caminho exige crescimento pessoal e não apenas focar o crescimento alheio para ter o que deseja.

Colocar no outro a responsabilidade da sua felicidade, é caminhar para o fracasso existencial.

O crescimento faz parte do desenvolvimento da vida. Trilhar esta senda exige ultrapassar os próprios limites, enfrentar desafios, correr riscos e apesar de tudo, aprender com os erros e não cometê-los novamente.

Como proceder desta forma, se existe a crença que algo externo vai influenciar o resultado esperado?
Como acreditar na harmonia, se o mundo está desequilibrado?
Como ser solidário, se o mundo é dos individualistas?
Como ter amor, se me foi ensinado a revolta?
Como ter a individualidade, se isso é considerado egoísmo?
Como perceber as conseqüências dos meus atos, se vejo apenas o agora?
Como perdoar o meu algoz, se tenho que assumir minha responsabilidade?
Como amar a vida, se tenho as minhas convicções frustradas?
Como ter paz, se acredito que o mundo é uma guerra?

Essas perguntas têm fundamental importância no desenvolvimento pessoal.

Somente quando compreendermos a dualidade da vida poderemos usá-la ao nosso favor. É inútil informar o caminho se a pessoa não o percorrer, é como confundir o mapa com o território. Impossível se torna a compreensão quando o interno não se harmoniza com o externo, e vivem em conflito. De nada adianta ter o conhecimento se não o usar.

Na vítima ativa, há um desvio no conhecimento, os objetivos são claros, os meios para alcançá-lo estão disponíveis, mas a atenção está focada no local errado.

Imagine uma marcenaria, onde as ferramentas e a madeira estão disponíveis. O objetivo a ser alcançado é a construção de um armário. Neste momento a vítima ativa, foca o serrote, colocando a responsabilidade de alcançar a meta apenas no serrote. Porém, quem decide qual a forma que a madeira terá, é o marceneiro, não o serrote.

Nesta analogia percebe-se porque a vítima ativa tem dificuldades de atingir seus objetivos. Por mais importante que seja o serrote no trabalho, quem decide a forma é o marceneiro.

O que adianta conhecer toda a utilização do serrote se ele é incapaz de realizar outros serviços necessários à fabricação do móvel?

Percebe-se a falha na vítima ativa, quando foca as atitudes e não o todo. Esta forma de ação é uma parte importante, mas não decisiva no processo, com isso, por mais habilidade que o serrote tenha, será impossível atingir o objetivo desejado.

Nesta visão, é comum o serrote trabalhar a vida toda sem obter o produto final.

De que maneira isso pode ser aplicado na vida humana?

Muitas vezes me deparo com pessoas que tem a fórmula mágica para os problemas. Geralmente racionalizam a solução sem ter a visão e compreensão do marceneiro.

É comum este indivíduo ter no caminho apenas uma ferramenta ou ferramentas excessivamente usadas de forma a desviar do objetivo, ou estragar a madeira e tornar impossível a realização do objetivo.

Algumas pessoas acham que só o amor basta, ou apenas a pressão e a cobrança será suficiente para o desenvolvimento do relacionamento.

Na vida profissional, não raro, encontramos pessoas que se dedicam ao conhecimento técnico e não obtém o cargo desejado, por não ter um bom relacionamento com os que o cercam. Isso se deve a distorção da visão quando colocam apenas o serrote para construir o móvel.

Nesses casos a madeira será bem cortada, mas dificilmente será um armário.

Em suma, a vítima ativa tem como algoz ela mesma. O processo de fragilização e insucesso não são derivados do exterior, mas de dentro do seu ser por falta de percepção com os fatores improdutivos que o cercam, por isso a recomendação do templo de Delfos quando coloca a sua máxima “Conheça a si mesmo”, ainda é valida.

Com esta máxima observamos a essência  do conhecimento de auto-realização e passamos de personagem para autor de nossas vidas.

O trabalho é longo, mas o resultado é compensador diante dos obtidos sem a compreensão do mesmo.

Nos mais sinceros votos de luz, vida e amor.

 

Douglas Braga possui experiência de 20 anos em terapias alternativas, ministrando cursos de Shiatsu, quiroprática, técnica anti-estress e EFT. Administrador de empresas.
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