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Uma reflexão sobre as profissões no futuro
Elias Trevisol
Hoje em dia, se você possui uma profissão, deve ajoelhar-se e agradecer a um passado de homens livres, mercados livres, enfim, uma sociedade livre. No meu ponto de vista, liberdade pode significar o poder social de se fazer escolhas e poder segui-las.
Em um futuro não tão distante, estaremos vivendo em uma sociedade de mercados dominados, ou seja, aqueles que estão inseridos, não saem e os que desejam entrar, não entram. Para melhor entender o raciocínio, analise o temido exame da OAB – Ordem dos Advogados do Brasil (prova de 2 fases que todos os bacharéis em Direito são obrigados a fazerem se quiserem exercer a profissão da Advocacia e alguns cargos públicos): em primeiro lugar, a prova se tornou obrigatória a partir do ano de 1994, onde aqueles que se formaram antes, logicamente não desfrutaram da “maravilhosa experiência estressante” que a prova exerce sobre os bacharéis. Em segunda análise, aqueles que não passam no exame, após mais ou menos 6 (seis anos que é o tempo médio do curso de Direito), na esperança de manejarem a lei, são impedidos e travados em um mercado dominado legalmente. Digo legalmente, pois há uma lei regendo a obrigatoriedade do exame, não no sentido moral ou correto de agir, utilizado em nosso cotidiano.
Explicações para as regulamentações profissionais são as mais diversas, desde as mais hipócritas como “estamos melhorando a qualidade dos profissionais” até as mais ilógicas, como “o mercado está saturado”. Ora, convenhamos, a questão não é a qualidade dos profissionais, pois os maus qualificados não se estabelecem em um mercado competitivo. Também não coloquemos a culpa no inanimado mercado, pois se há muitos profissionais de uma determinada área, há também muita demanda, haja vista que o nível de natalidade brasileira é uma das mais crescentes em termos mundiais.
Sejamos francos, sei que não é costume nacional, mas usemos de coerência e tenhamos uma reflexão honesta. Umas das explicações lógicas para o domínio de mercado imposto à nossa sociedade é o medo e a ignorância. O ser humano tem medo do amanhã, do imprevisto, de ver-se sem clientes, sem ocupação. Motivo maior para tal anseio é o nosso passado de incertezas políticas e econômicas, porém a ignorância que assola nossa sociedade é ainda mais algoz do que nossa insegurança, pois “o homem tem medo daquilo que desconhece” e o que dizer de uma população onde os próprios governantes e várias lideranças políticas são semi-analfabetas, ou no mínimo, incultas.
Outras explicações são profanadas por homens sem razão, dizendo que o mercado seleciona suas necessidades e esses se esquecem de mencionar quantos conhecidos ou mesmo indigentes nas ruas estão sem trabalho, conceito bem distante de uma profissão. Pois há profissão sem trabalho, mas não existe trabalho sem profissão.
O governo cria normas permissivas e por vezes, discriminatórias, como PROUNI, cotas raciais em instituições superiores, e cometem a incoerência de não alertar aos incautos desavisados que, ao final daquele curso, tão “suado”, tão “sonhado”, eles não terão profissão. Isso mesmo! Entrem no ensino superior, cursem, “impostos e abonos tributários são para isso”, mas ao final dos 4, 5, 6 anos ou ainda mais tempo de estudo e noites em claro, não entrarás no mercado de trabalho sem passar “na prova”. Pague, faça, e passe numa prova que em 1 dia ou 2 avaliará todo seu conhecimento e lhe dará ingresso a sua “pouco esperada profissão”. Como eu havia dito, aqueles que estão inseridos no mercado, não saem e os que querem entrar, não podem.
Algumas outras entidades de classe almejam o mesmo futuro que o da OAB, ora, pra que mais concorrência? Será que ganharei dinheiro montando um “cursinho para prova do CRA ou do CREA ou mesmo para a prova dos Tecnólogos”? Pra que meu filho deve sair da faculdade e ter um trabalho? Não, o futuro não será como o passado, “as coisas não são como antigamente” – explicam com firmeza os idealizadores e apoiadores das regulamentações.
Se não houver entidades de classe, como o caso dos cursos de Informática ou Marketing, esses serão criados, isso se já não foram. Afinal, a sociedade não precisa mais de homens livres, desde que eu seja um. Não é mesmo?
Fonte: STEFFEN, César. Auto-regulação do mercado do Marketing. Jornal do Comércio. Dia 13 de dezembro de 2007, p. 04.
Elias Guilherme Trevisol é Graduado em Direito pela ULBRA, Universidade Luterana do Brasil, cursando MBA em Marketing pela FGV/RS, Fundação Getúlio Vargas, com extensão (On-line) em Gestão de Marketing pela FGV/RJ – EPGE/EBAPE e experiência em Gestão e Marketing na área jurídica e empresarial.
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